- Frank... – Uma voz doce me chamava de um jeito desesperador. Meus olhos se encontravam focados em um ponto branco ao fundo. Ele sorria pra mim, era convidativo. Eu queria tocá-lo, ele me parecia tão quente e eu sentia tanto frio.
- Por favor, Frank, fale comigo. – Pude perceber que alguém me sacudia, mas eu não sentia seus dedos em meu corpo, eu se quer preocupava-me em saber quem era, porque ele estava ali, ele me queria. E a cada segundo ele estava mais perto, ele iria me tocar, ele me levaria dessa vez. Seus olhos tão negros e profundos, ele sorria com os olhos, em uma espécie de diálogo silencioso.
- Não me deixa, por favor, não dessa vez – Descobri enfim, uma das vozes tão doces era a da minha mãe. Maldita seja, ela o fez se afastar. Ele estava recuando, seus olhos perderam todo o brilho, ele não me queria mais, ele estava atendendo ao pedido da minha mãe e me deixando para trás.
Escuridão foi tudo que sucedeu aquele momento tão mágico. Será que é verdade quando dizem que suicídio leva direto ao inferno? Então porque ele estava ali pra me receber? Por que sua luz me chamava? Por que ele estava comigo todas às vezes?
Eu nunca pude saber, ele nunca chegou perto o bastante pra me dizer.
